O Que São Requisitos Funcionais E Requisitos Não Funcionais? – Codificar – O Que São Requisitos Funcionais E Requisitos Não Funcionais?
-Codificar: Entender a diferença entre requisitos funcionais e não funcionais é crucial para o sucesso de qualquer projeto de software. Imagine um e-commerce: um requisito funcional seria “adicionar um item ao carrinho”, enquanto um não funcional seria “o site deve carregar em menos de 3 segundos”. Esta distinção, aparentemente simples, impacta diretamente na usabilidade, performance e até mesmo na segurança do sistema.
Vamos explorar esse universo fundamental para desenvolvedores e gestores de projetos.
Ao longo deste texto, analisaremos a definição, elicitação, priorização e documentação de ambos os tipos de requisitos, utilizando exemplos práticos e abordando potenciais conflitos e soluções. Veremos como a clareza na definição impacta o desenvolvimento e como diferentes métodos de especificação podem otimizar o processo, garantindo um produto final que atenda às expectativas e seja eficiente.
Definindo Requisitos Funcionais e Não Funcionais
Requisitos funcionais e não funcionais são elementos cruciais na engenharia de software, definindo o que um sistema
- deve fazer* e
- como deve fazer*, respectivamente. A clareza na distinção entre ambos é fundamental para o sucesso de um projeto, garantindo que o produto final atenda às expectativas do cliente e seja eficiente em seu funcionamento. A falta de uma definição precisa pode levar a atrasos, custos extras e, até mesmo, ao fracasso do projeto.
A diferença fundamental reside no foco: requisitos funcionais descrevem as funcionalidades do sistema, ou seja, o que o sistema deve fazer para atender às necessidades do usuário. Já os requisitos não funcionais especificam como o sistema deve se comportar, focando em aspectos como desempenho, segurança e usabilidade. Imagine-os como a diferença entre “o carro deve ir de A para B” (funcional) e “o carro deve ir de A para B em menos de 30 minutos, consumindo menos de 5 litros de combustível e com segurança máxima” (não funcional).
Diferença entre Requisitos Funcionais e Não Funcionais com Exemplos de E-commerce
Para ilustrar a diferença, vamos analisar um sistema de e-commerce. A tabela a seguir apresenta exemplos concretos, diferenciando requisitos funcionais e não funcionais.
Tipo de Requisito | Descrição | Exemplo Funcional | Exemplo Não Funcional |
---|---|---|---|
Funcional | Descreve o que o sistema deve fazer. | O sistema deve permitir que o usuário adicione produtos ao carrinho de compras. | O sistema deve ser seguro, protegendo as informações de pagamento do usuário. |
Não Funcional | Descreve como o sistema deve funcionar. | O sistema deve permitir a busca de produtos por nome ou categoria. | O sistema deve ter um tempo de resposta inferior a 2 segundos para qualquer ação do usuário. |
Funcional | Descreve a funcionalidade do sistema. | O sistema deve permitir ao usuário efetuar o pagamento com cartão de crédito. | O sistema deve ser escalável para suportar 10.000 usuários simultâneos. |
Não Funcional | Descreve atributos de qualidade do sistema. | O sistema deve gerar relatórios de vendas diárias. | O sistema deve ser fácil de usar, com uma interface intuitiva. |
Métodos de Elicitação de Requisitos Funcionais e Não Funcionais
A elicitação de requisitos é o processo de descobrir, analisar e documentar as necessidades dos usuários e stakeholders. Os métodos empregados para elicitar requisitos funcionais e não funcionais podem variar, mas geralmente se complementam. A escolha do método depende do contexto do projeto, do tamanho da equipe e da complexidade do sistema.
Para requisitos funcionais, métodos como entrevistas, questionários, observação de usuários e análise de documentos existentes são comuns. Entrevistas permitem uma interação direta com os usuários, obtendo informações detalhadas sobre suas necessidades. Questionários permitem coletar dados de um grande número de usuários de forma eficiente, porém com menor profundidade. A observação de usuários em seu ambiente de trabalho fornece insights valiosos sobre seus fluxos de trabalho e necessidades reais.
A análise de documentos existentes, como manuais ou especificações de sistemas similares, ajuda a identificar funcionalidades já existentes e a evitar erros comuns.
Já para requisitos não funcionais, técnicas como benchmarking (comparando com sistemas similares), análise de desempenho e testes de usabilidade são mais relevantes. Benchmarking permite definir metas de desempenho baseadas em sistemas existentes. Análise de desempenho envolve a modelagem e simulação do sistema para prever seu comportamento sob diferentes cargas. Testes de usabilidade avaliam a facilidade de uso e a experiência do usuário com o sistema.
Cada método apresenta vantagens e desvantagens. Entrevistas, por exemplo, permitem um aprofundamento maior, mas são dispendiosas em termos de tempo. Questionários são rápidos, mas podem resultar em respostas superficiais. A escolha ideal envolve uma combinação de métodos, buscando maximizar as vantagens e minimizar as desvantagens.
Classificação de Requisitos: Funcionais e Não Funcionais
Vamos classificar os requisitos fornecidos:
- “O sistema deve permitir o login do usuário”
– Funcional: Descreve uma ação específica que o sistema deve realizar. - “O sistema deve responder em menos de 2 segundos”
– Não Funcional: Define um limite de tempo de resposta, um atributo de desempenho. - “O sistema deve permitir a adição de itens ao carrinho”
– Funcional: Descreve uma ação específica do usuário e a resposta do sistema. - “O sistema deve ser escalável para 10.000 usuários simultâneos”
– Não Funcional: Define um requisito de escalabilidade, relacionado à capacidade do sistema. - “O sistema deve gerar relatórios de vendas diários”
– Funcional: Descreve a geração de um relatório, uma funcionalidade do sistema.
Priorizando e Gerenciando Requisitos
A priorização e o gerenciamento eficazes de requisitos são cruciais para o sucesso de qualquer projeto de software. Ignorar essa etapa pode levar a atrasos, estouros de orçamento e um produto final que não atende às necessidades do cliente. Este processo envolve a análise, classificação e ordenação dos requisitos, considerando diversos fatores que impactam o desenvolvimento.
Matriz de Priorização de Requisitos
Uma matriz de priorização auxilia na organização e classificação dos requisitos, permitindo uma tomada de decisão mais informada sobre quais funcionalidades serão implementadas primeiro. A matriz considera diferentes critérios, permitindo uma visão holística do impacto de cada requisito no projeto. A seguir, apresentamos um exemplo para um sistema de gerenciamento de projetos, utilizando os critérios de valor comercial, complexidade e risco.
A escala utilizada para cada critério é de 1 a 5, sendo 1 baixo e 5 alto.
Requisito | Valor Comercial | Complexidade | Risco |
---|---|---|---|
Cadastro de projetos (Funcional) | 5 | 3 | 2 |
Gerenciamento de tarefas (Funcional) | 4 | 4 | 3 |
Relatórios de progresso (Funcional) | 3 | 2 | 1 |
Integração com sistema de email (Funcional) | 2 | 4 | 4 |
Disponibilidade 99.9% (Não Funcional) | 5 | 5 | 5 |
Tempo de resposta < 2 segundos (Não Funcional) | 4 | 3 | 2 |
Segurança de dados (Não Funcional) | 5 | 4 | 5 |
Implicações da Falta de Clareza na Definição de Requisitos, O Que São Requisitos Funcionais E Requisitos Não Funcionais? – Codificar
A falta de clareza na definição de requisitos, tanto funcionais quanto não funcionais, tem consequências graves para o desenvolvimento de software. Requisitos ambíguos ou incompletos levam a interpretações divergentes entre a equipe de desenvolvimento e o cliente, resultando em retrabalhos, atrasos na entrega e aumento de custos. Podem surgir funcionalidades incorretas ou incompletas, comprometendo a qualidade do produto final e a satisfação do cliente.
A falta de clareza nos requisitos não funcionais, por exemplo, sobre performance ou segurança, pode levar a vulnerabilidades e instabilidades no sistema.
Conflitos entre Requisitos Funcionais e Não Funcionais em um Sistema de Controle de Estoque
Em um sistema de controle de estoque, conflitos entre requisitos funcionais e não funcionais são comuns. Por exemplo, o requisito funcional de permitir a busca de produtos por diversos critérios (nome, código, fornecedor) pode conflitar com o requisito não funcional de alta performance, especialmente se o banco de dados for mal otimizado. Outro exemplo: a necessidade de um sistema altamente disponível (não funcional) pode conflitar com o requisito funcional de gerar relatórios detalhados que exigem um processamento intensivo de dados, podendo impactar a performance e disponibilidade.
Soluções para Mitigar Conflitos entre Requisitos
Para mitigar esses conflitos, é fundamental adotar estratégias de gerenciamento de requisitos que priorizem a clareza, a comunicação e a negociação. Isso inclui a utilização de técnicas de modelagem de requisitos, como diagramas de casos de uso e diagramas de classes, para visualizar e analisar as interações entre os requisitos. Além disso, a realização de testes de performance e testes de segurança ao longo do ciclo de desenvolvimento permite identificar e corrigir problemas precocemente.
A comunicação constante entre a equipe de desenvolvimento e o cliente é crucial para garantir que todos estejam alinhados quanto às prioridades e expectativas. Em casos de conflitos irreconciliáveis, pode ser necessário priorizar um requisito em detrimento de outro, considerando o impacto geral no projeto e a satisfação do cliente.
Documentando e Especificando Requisitos: O Que São Requisitos Funcionais E Requisitos Não Funcionais? – Codificar
A documentação de requisitos é crucial para o sucesso de qualquer projeto de software. Um documento de especificação de requisitos bem elaborado serve como guia para a equipe de desenvolvimento, garantindo que todos estejam na mesma página e entendam as necessidades do cliente. Ele reduz ambiguidades, previne retrabalhos e facilita a comunicação entre as partes envolvidas. A seguir, exploraremos como documentar e especificar requisitos funcionais e não funcionais, utilizando um sistema de gestão de biblioteca como exemplo.
Modelo de Documento de Especificação de Requisitos para um Sistema de Gestão de Biblioteca
A seguir, apresentamos um modelo de documento que pode ser adaptado para diferentes sistemas. A estrutura proposta organiza os requisitos de forma clara e concisa, facilitando a compreensão e o acompanhamento do projeto.
Seção | Descrição |
---|---|
Introdução | Objetivo do documento, descrição do sistema e público-alvo. |
Requisitos Funcionais | Descrição detalhada das funcionalidades do sistema, incluindo fluxos de trabalho e regras de negócio. Cada requisito deve ser identificado com um código único e descrito de forma clara e concisa. Exemplos: “RF001: O sistema deve permitir o cadastro de novos usuários”, “RF002: O sistema deve permitir a busca de livros por título, autor ou ISBN”. |
Requisitos Não Funcionais | Especificação dos aspectos não relacionados diretamente às funcionalidades, mas essenciais para o funcionamento do sistema. Inclui desempenho, segurança, usabilidade, etc. Exemplos: “RNF001: O sistema deve garantir a confidencialidade dos dados dos usuários”, “RNF002: O tempo de resposta para buscas deve ser inferior a 2 segundos”. |
Glossário | Definição dos termos técnicos utilizados no documento. |
Apêndice (opcional) | Informações complementares, como diagramas, modelos de telas, etc. |
Exemplo de Requisitos em um Sistema de Gestão de Biblioteca
Para ilustrar, considere os seguintes exemplos:
RF003: O sistema deve permitir o empréstimo de livros a usuários cadastrados, registrando a data de empréstimo e a data de devolução prevista.
RNF003: O sistema deve ser acessível a partir de diferentes navegadores (Chrome, Firefox, Edge) e dispositivos (desktops, tablets e smartphones).
Descrições Precisas e Mensuráveis de Requisitos Não Funcionais de Desempenho
A descrição de requisitos não funcionais de desempenho, como tempo de resposta, requer precisão e mensurabilidade. Para o requisito “O tempo de resposta para buscas deve ser inferior a 2 segundos”, devemos especificar as condições de teste: “Em um ambiente de teste com X usuários simultâneos e Y livros no banco de dados, o tempo médio de resposta para buscas deve ser inferior a 2 segundos, com um desvio padrão máximo de 0,5 segundos.” As unidades de medida (segundos, milissegundos) são fundamentais para a avaliação objetiva do desempenho.
Técnicas para Representação Gráfica de Requisitos
Diagramas de casos de uso e diagramas de sequência são técnicas eficazes para representar graficamente requisitos funcionais e não funcionais.
Diagramas de Casos de Uso
Os diagramas de casos de uso mostram a interação entre os atores (usuários) e o sistema, focando nas funcionalidades. As vantagens incluem a visualização clara das funcionalidades e a fácil compreensão pelos stakeholders. A desvantagem é que eles podem não representar completamente os detalhes técnicos ou os requisitos não funcionais.
Diagramas de Sequência
Os diagramas de sequência ilustram a interação entre os objetos do sistema ao longo do tempo, mostrando a sequência de mensagens trocadas. Eles são úteis para detalhar o funcionamento interno do sistema e para especificar requisitos de desempenho, como o tempo de resposta de uma operação. A desvantagem é que podem ser complexos para sistemas grandes e difíceis de entender para stakeholders não técnicos.
Em resumo, dominar a arte de definir, priorizar e documentar requisitos funcionais e não funcionais é essencial para o desenvolvimento de software de alta qualidade. A clareza e a precisão na especificação desses requisitos minimizam riscos, reduzem custos e garantem que o produto final atenda às necessidades do usuário e aos objetivos do negócio. Lembre-se: a atenção aos detalhes nesta fase inicial impacta diretamente no sucesso do projeto a longo prazo.